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Rabino Henry Sobel morre aos 75 anos em Miami

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O rabino Henry Sobel, de 75 anos, morreu na manhã desta sexta-feira, 22, em Miami, nos Estados Unidos. Rabino emérito da Congregação Israelita Paulista (CIP), destacou-se como uma “voz firme em defesa dos direitos humanos no Brasil”, como destaca nota divulgada pela família. Ele deixa esposa e filha.

Sobel morreu em decorrência de complicações causadas por um câncer. O sepultamento será realizado no domingo, 24, no Woodbridge Memorial Gardens, em Nova Jersey.

Norte-americano e filho de judeus de tradicional ortodoxia, Sobel chegou ao Brasil na década de 70, onde viveu por 43 anos até se mudar para os Estados Unidos, em 2013. No País, teve forte atuação na ditadura militar, especialmente em relação ao esclarecimento da morte de Vladimir Herzog, não aceitando a versão oficial de que o jornalista teria cometido suicídio. Ele autorizou, então, que o ex-diretor da TV Cultura fosse sepultado no Cemitério Israelita do Butantan fora da ala reservada a suicidas.

Sobel (à esquerda da foto) celebrou um ofício inter-religioso em homenagem a Vladimir Herzog durante a ditadura militar

© Arquivo/Estadão Sobel (à esquerda da foto) celebrou um ofício inter-religioso em homenagem a Vladimir Herzog durante a ditadura militar

Junto a D. Paulo Evaristo Arns e ao reverendo James Wright, Sobel celebrou um ofício inter-religioso em homenagem ao jornalista, de origem judia, em 23 de outubro de 1975, na Catedral da Sé. A celebração reuniu cerca de oito mil pessoas e foi considerada uma manifestação importante contra a ditadura militar.

“Tenho vivido bem com a minha consciência. E passei a agir não só pelo Vlado, mas por outros torturados. A causa transcendeu. Naquele momento ganhei adversários, sim, e uma recompensa: a dos jovens judeus que me acompanharam ao culto. Eles andavam comigo na catedral. Éramos um time, jogando juntos”, disse em entrevista ao Estado, em 2013. “Procurei o que era certo e Deus resolveria o resto. Isso signfica ser judeu consciente. Assumir, agir, lutar se necessário. E confiar. Confiar.”

“Falta buscar outros Vlados cujos direitos foram violados, Vlados humilhados em vida e depois da vida. O trabalho pelos direitos humanos está apenas começando no Brasil. Temos um longo caminho a percorrer. E, enquanto for rabino, algo que pretendo ser até o fim da minha vida, assumo o compromisso de lutar por isso. A morte de Vladimir Herzog não terá sido em vão”, declarou na entrevista.

O rabino escreveu a autobiografia Um Homem. Um Rabino, lançada em 2008 pela Ediouro, com prefácio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Também teve parte da trajetória narrada no documentário A história do homem Henry Sobel, do diretor André Bushatsky, de 2014.

Em 2007, Sobel também falou ao Jornal da Tarde sobre a mudança para o Brasil. “Estava fascinado em vir para o Brasil, não só pela Copa, mas principalmente por causa do povo. Viajei um pouco na vida e lhe digo: não existe um povo igual no mundo”, disse.

O rabino era declarado fã de futebol e torcedor do São Paulo. Ao longo de décadas, se encontrou com importantes lideranças políticas e religiosas, como Dalai Lama e os papas João Paulo II e Bento XVI.

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