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Juros negativos na Europa levam banco alemão a taxar poupança

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Um banco cooperativo alemão decidiu taxar as novas contas de poupança desde o primeiro centavo de euro depositado, em reação às taxas de juros negativas aplicadas pelo Banco Central Europeu (BCE) na zona do euro. A medida, em caráter generalizado, é inédita no país, tradicionalmente apegado à poupança.

As críticas dos alemães à política monetária em vigor são frequentes. O banco Volksbank Raiffeisenbank, da cidade de Fürstenfeldbruck, nas proximidades de Munique, agora aplica -0,5% sobre os depósitos de qualquer valor nas novas contas de poupança, abertas a partir de 1º de outubro. Até então, na Alemanha como em outros países, os bancos que taxavam a poupança o faziam para saldos superiores a € 100 mil.

O índice de -0,5% equivale ao adotado pelo BCE aos bancos sobre os depósitos armazenados em caixa, acima de determinados valores. Em setembro, a taxa passou de -0,4% para -0,5%, uma das últimas medidas de Mario Draghi à frente da instituição. O jornal popular alemão Bild chegou a estampar uma capa com uma fotomontagem de “Draguila” – Mario Dragui caracterizado de “o vampiro que suga as nossas contas até a última gota”.

Medida começa a se expandir

No início de novembro, o limite de poupanças abaixo de € 100 mil foi “psicologicamente atingido”, segundo o site especializado Verivox, depois que o banco Volksbank Magdeburg começou a aplicar juros negativos para as poupanças a partir de € 75 mil. As contas correntes, pelas quais os clientes fazem suas movimentações financeiras do dia a dia, não são visadas pela medida.

Há anos, o sistema bancário alemão é um dos mais afetados pelos juros negativos do BCE, já que dispõe de muita liquidez que não se transforma em créditos. Os bancos do país estão cada vez mais inclinados a repercutir esse prejuízo nos clientes – em primeiro lugar, os profissionais.

Em setembro, cerca de um quarto dos bancos (23%) aplicavam taxas aos clientes particulares a partir de um certo montante guardado na poupança, de acordo com o Banco Federal da Alemanha. No total, 25% do volume guardado nos estabelecimentos alemães é atingido.

Os juros despencaram na Europa a partir da crise financeira de 2009. A queda visa estimular o consumo, entre outros objetivos.

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